It’s On Santa Cruz

de Carol Marques

Repleta de point breaks e também casa das Florestas de Kelps, aterrizamos hoje em Santa Cruz na Califórnia. It’s On!

Saímos do Hawaii, o berço do surfe, e chegamos na icônica surf city que também traz um marco histórico para o esporte: foi a casa da primeira sessão de surfe documentada no continente americano. Reza a lenda que três príncipes havaianos levaram o surfe até lá, em 1885.

Localização e clima

Situada ao sul de São Francisco, Santa Cruz fica no extremo norte da Baía de Monterey – conhecida por abrigar as florestas de algas, além de estar no caminho migratório das baleias cinzentas e jubartes (nossas conhecidas).

Basicamente Santa Cruz tem temperaturas variando ao longo do ano entre 7º a 21º C. O verão (junho a setembro) tem clima seco e já no inverno (dezembro a março) ocorrem pequenas precipitações.

As Florestas de Kelps

No fundo do mar, existem verdadeiras florestas subaquáticas e você já deve ter visto parte delas durante as transmissões de alguns campeonatos na Califórnia.

Elas são conhecidas como Florestas de Kelps e são um dos ecossistemas mais diversos, produtivos e encantadores do planeta. Se formam em costões rochosos rasos e precisam de águas frias, ricas em nutrientes e luz para sobreviverem. Graças as diferentes estruturas das Kelps (algas marrons da ordem Laminariales) elas podem ocupar desde o substrato até flutuar na superfície do oceano e assim, dar vida as florestas.

Muitos estudos já mostram que elas podem chegar até 90 metros de altura e podem crescer de 30 a 60 centímetros por dia. Incrível, né?

São de extrema importância pois nos formem oxigênio e nutrientes. Também servem de alimento e abrigo para milhares de peixes, invertebrados e mamíferos marinhos. Além de amortecer as ondas impedindo a erosão da costa e protegendo os ecossistemas que ali vivem. É por meio dessas florestas que podemos conhecer várias relações ecológicas importantíssimas para a dinâmica do planeta.

Elas têm sido ameaçadas pela sobrepesca, pela poluição, mudanças climáticas e a colheita descontrolada das algas. Você pode visualizá-las melhor no documentário Professor Polvodisponível na Netflix.

Melhores picos

Santa Cruz nos presenteou com 23 points de surfe, de nível iniciante ao avançado. Mas lembrando que por ser uma cidade que respira o esporte e por estar presente no mapa do surfe mundial, são picos muito disputados e por todos os níveis de surfe. Vamos as ondas:

Steamer Lane

Possui três ondas diferentes, são elas:

  • Slot: uma das ondas mais high performance, que funciona bem com swell de norte/oeste no inverno;
  • Middle Peak: no inverno é uma onda que serve como treino para Mavericks nos dias grandes. Já no dia a dia é casa dos longboards;
  • Indicatores: considerada uma mini Jeffreys Bay que quebra no inverno. Só não funciona na maré cheia e o melhor swell também é de norte/oeste;
Gabriel Medina em 2012 Foto: Kirstin Scholtz/WSL

Cowell’s Beach

É um dos picos mais lotados da cidade por concentrar as escolinhas de surfe da região. Um verdadeiro paraíso para os principiantes, já que é uma bancada de areia, que só não funciona na maré cheia e que permite drops fáceis e ondas longas.

Pleasure Point

São 5 opções para surfar:

  • Rockville: um point break com direitas perfeitas para iniciantes. No inverno o melhor swell também é de norte/oeste e é um pico que dá para visualizar bem as Kelps, que dificultam bem o surfe na maré vazia;
  • Sewer Peak: um dos drops mais difíceis da cidade, com sessões de tubo no verão quando encosta um swell de sul de preferência vindo da Nova Zelândia. No inverno é uma onda cheia e lenta;
  • First Peak: uma onda que quebra o ano todo e com todas as direções de ondulações. Verão com swell de sul é uma onda bem manobrável;
  • Second Peak: um pico mais para longboards no dia a dia. Nas melhores condições é uma onda bem rápida;
  • 38th: no inverno com swell de sul grande e com a maré negativa proporciona os melhores e raros tubos da cidade. No mais, é uma onda para iniciantes.

Lembrando que estamos falando do Pacífico e por ter águas muito geladas, as roupas de neoprene são essenciais.

Curiosidades

  • Santa Cruz foi reconhecida como a quarta Reserva Mundial de Surf, aprovada em fevereiro de 2011. Não só para ajudar a comunidade a entender a importância daquela região para o surfe mundial, mas também para proteger um importante ecossistema costeiro;
  • Museu do Surf de Santa Cruz é símbolo da cultura surfe para os locais. O Farol Mark Abbott, que abriga o museu, foi construído (em 1967) em homenagem a um surfista local que se afogou durante uma sessão em Pleasure Point;

  • O surfista e local Jack O’Neill, nos anos 50, foi o criador dos primeiros trajes de mergulho (na época um colete) para poder surfar as águas geladas do Pacífico. Para nos anos 80, a O’Neill, sua empresa, ser a primeira vendedora mundial de roupas de neoprene;
  • Santa Cruz também é casa das sequoias, uma das árvores mais antigas do planeta. Elas podem ser vistas no Parque Estadual Big Bason Redwoods.

Deu para perceber como Santa Cruz é um lugar diferenciado, né? A etapa que aconteceria agora em fevereiro foi cancelada, mas seguimos contando sobre os principais picos do Dream Tour.

Até Portugal!

Referências

http://www.savethewaves.org/wsr/

https://www.cityofsantacruz.com/government/city-departments/parks-recreation/facilities/surfing-museum

https://pranchanova.com/conteudo/santa-cruz-california/

https://www.surfline.com/surf-report/pleasure-point/5842041f4e65fad6a7708807?camId=5cf0124c4f41df57b971a9a4

STENECK, ROBERT S., et al. “Kelp Forest Ecosystems: Biodiversity, Stability, Resilience and Future.” Environmental Conservation, vol. 29, no. 4, 2002, pp. 436–459. JSTOR, www.jstor.org/stable/44520631. Accessed 12 Feb. 2021.

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3 comentários

Vincent 9 de julho de 2017 - 02:13

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